Sociedade Bíblica do Brasil

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Escola Bíblica Discipuladora - 4º Trimestre 2018 - Lição Nr 07

Canal Luisa Criativa

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Fundamentos Bíblicos e Teológicos do Pecado...

Fundamentos Bíblicos e Teológicos do Pecado: uma perspectiva pentecostal


De acordo com João Bunyan, O Peregrino, quando a alma é afetada pelo pecado, imediatamente é conduzida ao Lodaçal do Desespero. Nesse lugar o pecador é despertado acerca de sua condição de perdição e, em sua alma, surgem muitos temores e dúvidas, além de apreensões desencorajadoras. Todavia, apesar dos males ocasionados pelo pecado, a humanidade nunca o refreou. Horácio, poeta latino, afirmou: audax omnia perpeti Gens humana ruit per vetitum nefas; isto é, “a presunçosa raça humana obstinadamente se atira aos atos proibidos da iniquidade”. E podemos acrescentar ao imortal poeta, “e que dela luta inutilmente para sair, sem a ajuda do evangelho de Cristo”.
Nós pentecostais reafirmamos a doutrina do pecado em sua dimensão bíblica, teológica, social e religiosa nos dias contemporâneos. Nossos convertidos são orientados a se afastarem do pecado e do mundanismo. Quem deseja ser um verdadeiro servo de nosso Senhor Jesus Cristo e servi-lo nas igrejas Assembleias de Deus, deve afastar-se do pecado, pois afirmamos o dever de viver vida santa e ilibada diante de Deus.
Quando eu era criança, a noção de pecado confundia-se com os costumes preservados pela tradição pentecostal clássica; existia uma dicotomia ou dualismo entre vida secular e vida religiosa. Entre nós assembleianos já foi pecado usar rádio, ver televisão (algumas comunidades assembleianas ainda conservam essa tradição), entre outros costumes. Apesar de tudo, os assembleianos, nós sempre afirmamos a doutrina do pecado e a necessidade da regeneração do homem pecador através do sacrifício vicário de nosso Senhor Jesus Cristo.
Assim, para repensarmos a doutrina pentecostal a respeito do pecado, sugiro algumas trilhas para o desenvolvimente de uma reflexão teológica fundamentada na Bíblia. Nessa seção, estudaremos os termos teológicos para pecado no Antigo Testamento. Posteriormente, pesquisaremos os vocábulos gregos do Novo Testamento. E depois faremos uma reflexão sobre os conceitos de pecado na história das Assembleias de Deus no Brasil. Apenas para reafirmar, a doutrina pentecostal concernente ao pecado sempre foi e será fundamentada nas Sagradas Escrituras, nossa regra de fé, doutrina e prática (repensaremos essa frase noutra ocasião).
Definição Etimológica
O vocábulo “hamartiologia” é um termo teológico composto por duas palavras gregas: “hamartia” que significa “pecado” e “logia”, cujo significado básico é “estudo ou tratado”. O termo “hamartia” ocorre cerca de 173 vezes nas escrituras neotestamentárias. O sentido global de pecado (hamartia) só pode ser perfeitamente definido em sua complexidade, entendendo as palavras sinônimas, cognatas ou derivadas da mesma, tais como: “adikia, parabasis, anomia”, etc. Desta forma, poderíamos interpretar “hamartia” não apenas como “pecado” ou “errar o alvo” (hamartanō), mas como transgressões contra a moralidade, as leis, os homens e Deus.
Fundamentalmente na Antiga Aliança, o hebraico designa o termo “chata'”, que é interpretado como “lapso, pecado, errar o alvo” ou “‘awon”, isto é “culpa”, como desvio consciente do caminho certo. O termo sugere a concepção de que o alvo divino para o homem é o de viver em feliz comunhão com Deus e, quando ele desobedece à vontade do Senhor, perde o alvo preceituado para ele.
Definição Corrente
Hamartiologia é a disciplina da Teologia Sistemática que se ocupa do estudo da origem, natureza e efeitos do pecado sobre o homem. Refere-se também aos conceitos teóricos a respeito do pecado, isto é, as várias correntes teológicas a respeito da doutrina. Neste aspecto, a hamartiologia não estuda apenas a doutrina, mas também os efeitos do pecado na sociedade e na igreja, em seu aspecto passado, presente e escatológico.
Definição Conceitual
O pecado é qualquer falta de conformidade com Deus, ou qualquer transgressão da lei de Deus, dada como regra à criatura racional. Isto posto, o pecado tanto é um ato como uma condição. O pecado é o “estado” dos homens sem regeneração, que se manifesta na forma de numerosos e perversos atos. Assim, o pecado pode manifestar-se como:
Impiedade: Impiedade (no grego “asebeia” - 2 Pe 2.6), consiste na oposição a Deus e a seus princípios, em autêntica rebelião de alma. Ser ímpio significa se contrário a Deus e a seus mandamentos; é viver como se Deus não existisse.
Transgressão: Transgressão (no grego “parabasis”), literalmente significa “ir além de um limite estabelecido”. Consiste na violação de princípios piedosos reconhecidos, que conduzem o indivíduo à quebra da lei (paranomia) afastando-o da lei moral (Mt 6.14; Tg 2.11; At 23.3; 2 Pe 2.16). O termo “parabasis” (transgressão) relaciona-se diretamente com o termo grego paraptōma, isto é, passos em falso, ou desviamos pela tangente, apesar de estarmos instruídos o bastante para não fazê-lo. Assim, trangredir é ultrapassar os "limites" estabelecidos na lei de Deus.
Se o pecado é definido como transgressão às leis divinas, então é necessário que a igreja defina coerentemente o que é doutrina, norma ou lei divina para os dias hodiernos. Muitas pessoas cometem faltas contra a tradição religiosa, mas não contra a lei de Deus. E, infelizmente, assim como ocorreu no passado da religião judaica do Novo Testamento, para alguns zelosos, é mais grave transgredir a tradição do que o mandamento divino. Qual a vontade de Deus para o homem moderno? Quais costumes sociais enquadram-se na definição bíblica de Pecado? Quais os limites da ludicidade, se para alguns o lazer é pecado? O que Deus permite ou proibe com base nas Santas Escrituras? Essas perguntas precisam ser respondidas pelas Assembleias de Deus. Se pecado é transgredir, o que se transgride na concepção teológica e doutrinária?
Conotações no Hebraico
Chata’: “errar o alvo, pecado, oferta pelo pecado”: É a palavra mais singular para definir o pecado na terminologia hebraica (Jz 20.16; Pv 19.2). O verbo é usado mais de duzentas vezes, e as formas do substantivo, cento e noventa e oito vezes no Antigo Testamento. A concepção de “alvo” sugere um “padrão objetivo”. Entre os guerreiros de Benjamin havia homens que podiam “dar tiros de funda num cabelo sem errar” (Jz 20.16). Assim, usa-se a palavra no sentido de perder uma coisa de valor, ou falhar na responsabilidade de alcançar um alvo importante. O termo é usado para demonstrar tanto a disposição de pecar, como o ato resultante (Gn 4.7; Sl 1.1; 51.4; 103.10). Aplica-se:
a) - À perda de alguma coisa de valor - quem perder (pecar contra) a sabedoria, faz violência a si mesmo (Pv 8.36);
b) - Designa, frequentemente, o mal praticado contra o próximo (2 Sm 19.20; 1 Rs 8.31);
c) - O pecado contra o concerto (Êx 32.30-33);
d) - Em Jó 1.5 a palavra refere-se ao pecado íntimo, nos pensamentos do coração;
e) - Referência aos pecados voluntários ou deliberados (Êx 10.17; Dt 9.18; Sl 25.7).
Chata' é o termo geral para designar as várias formas de pecado no Antigo Testamento. Pressupõe que o homem "erra o alvo" contra o próximo, Deus e a si mesmo.
Pasha': “rebelar-se” ou “revoltar-se”: O pecado, no sentido mais profundo da palavra, é representado pelo verbo “pasha'” e o substantivo “pesha'”. O verbo significa “rebelar-se ou revoltar-se”. É usado em 1 Reis para referir-se à rebeldia contra a casa de Davi (Is 1.2; Os 8.1). As palavras transgredir e transgressão não traduzem adequadamente as palavras hebraicas (Am 3.14; Mq 1.5; Êx 34.7; Ez 21.29; Sl 32.5; Dn 9.24). “Pasha'” mostra que o pecado, na sua essência, é mais do que violação de mandamentos e proibições. Em última análise, o pecado é uma revolta da vontade do homem contra a vontade de Deus.
Rasha': “ímpio”: O verbo “rasha'” significa ser provado, ímpio, culpado, pecaminoso e descreve o caráter formado pela prática do pecado (Sl 1.1; Is 3.11). A palavra é mencionada cerca de duzentos e sessenta e uma vezes e a famosa tradução dos setenta (LXX) a traduz por irreligioso, perverso, transgressor e, geralmente, indica a mudança no estado moral ou religioso do homem. O termo é usado frequentemente como sinônimo de palavras que significam enganar, defraudar, trair (Jr 12.1).
‘Awon: “iniquidade”: O termo hebraico “'awōn” deriva-se da raiz “‘awah”, que provém da ideia de torcido ou pervertido (Gn 19.15; Sl 31.10; Zc 3.9). O termo é usado cerca de duzentos e trinta e uma vezes sempre no sentido de torcer, perverter, desviar, ficar culpado de perversidade, designando um pecado de má intenção. Muitas vezes a palavra significa culpa, ou da iniquidade cometida, ou da natureza perversa que pratica a iniquidade. A palavra é usada em alguns paralelismos como sinônimo de “chata'” (Is 5.18).
Nabhel: “pingar ou secar”: Significa pingar ou secar; origina ser o pecador seco, insensível (Sl 14.1; 53.1; Is 32.6; Sl 74.18; Dt 32.6,21).
Tame’: “ser impuro”: O termo hebraico “tame’” significa mergulhar, estar imerso com o sentido de ser manchado ou poluído, como resultado da imersão: “... sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios...” (Is 6.5; Nm 5.13-29; Jr 2.23; Sl 106.39; Os 5.3; 6.10; Ez 22.3-5).
Ma'al: “transgredir”: O termo "ma'al" envolve infidelidade e traição, ou o ato de ser culpado, de quebrar uma promessa ou não cumprir a palavra. Deus dotou o homem com um alto privilégio e uma solene responsabilidade, mas ele foi infiel e desleal ao propósito divino. Às vezes, significa que o homem planeja a traição ou a quebra de sua palavra contra Deus e sua elevada vocação. Geralmente é traduzido como transgredir ou prevaricar (Lv 16.16,21; 26.40; Nm 5.6; 31.16; Dt 32.51; 2 Cr 26.18; 29.6).
To'ebhah: “coisa abominável”: O termo hebraico “to'ebhah” designa especialmente os pecados repugnantes para Deus, ou chamados de abominação, aquilo que é detestável, ofensivo. Aplica-se geralmente:
a) Aos ímpios (Pv 29.7): Na literatura sapiencial, o termo ímpio (rasha’), e seus cognatos (prepotente, perverso, zombador e estulto), designam o mesmo tipo de homem. Pessoas ímpias ou perversas eram culpadas da violação dos direitos sociais de outros, pois foram violentas, opressoras, avarentas, envolvidas em tramar contra os pobres e apanhá-los em armadilhas, e com disposição de até mesmo assassinar a fim de atingir seus objetivos. Eram desonestas em seus negócios e nos tribunais; enriqueciam por meio de opressão e toda espécie de práticas fraudulentas. Geralmente, o ímpio é perfilado como alguém que odeia o Senhor (Êx 2.13; Nm 35.31; 2 Sm 4.11; 2 Cr 19.2). Malaquias 3.18 ressalta que uma das principais características do ímpio é recusar-se à servir ao Senhor. O ímpio se esquece de Deus (Jó 8.13); despreza-O (Sl 10.3); provoca-O (Is 5.12), age como se Deus não existisse (Sl 10.4;14.1; 53.2), como se Deus não fosse vivo (Sf 1.12 cf. Jó 22.17) e não visse nada (Sl 94.7 cf Jó 22.13s); ele acha que não vale a pena servir a Deus (Ml 3.14s). O ímpio peca por fraude, injustiça, mentira, opressão, soberba, avareza, embriaguez e luxúria, pecados estes censurados, sobretudo, pela literatura sapiencial (Sl 10.2-11; 36.2-5; 73.6-9;94.3-7; Jó 24.2-4). A impiedade praticada pelo ímpio não ficará sem castigo. Várias vezes são afirmadas o pensamento de que a impiedade traz a sua punição em si mesma: “Ai do ímpio, porque nada lhe correrá bem; ele receberá segundo as obras de sua mão” (Is 3.11). “Comerá do fruto da sua maldade fartar-se-á da própria impiedade” (Pv 1.31,32; 5.22s; 11.27; 14.32; Sl 37.14). Em o Novo Testamento a mesma gama de ideias do Antigo Testamento é repetida (Rm 11.26 cf Is 59.20; 2 Tm 2.16 ; Tt 1.12; Rm 4.5; 2 Pe 2.5). Todos os pecadores, segundo a epístola de Judas, podem ser chamados de ímpios.

b) À idolatria (Dt 7.25,26; Jr 16.18; Ez 5.11; 7.20; 2 Cr 15.8):Idólatra é o adorador de ídolos, e o culto que lhes é prestado é chamado idolatria. No período pré-mosaico, a idolatria já era um costume dos povos. O Decálogo proíbe explicitamente a idolatria no primeiro e segundo mandamentos (Êx 20.3-5). Em Deuteronômio 4.15-28, no caso de transgressão nacional, está determinado o castigo para os idólatras. A idolatria é pecado porque priva a Deus de um direito que lhe é próprio - o culto e a adoração - daí ser considerada “coisa abominável”. Ezequiel denuncia a idolatria como infidelidade e prostituição (16.36; 37.23) e, segundo o mesmo profeta, Jerusalém foi destruída devido a sua idolatria (33.25; 36.18,25), provavelmente para cumprir-se Êxodo 22.20 e Deuteronômio 13.12-16.

Vários termos hebraicos definem o vocábulo português “ídolo”. Os vocábulos usados para indicar a representação física destes é “tselem” (imagem), “pesel” (imagem esculpida), “massekhah” (imagem fundida). Outras palavras, porém, representam a inutilidade dos ídolos, a saber:
1) -“Gillulim”: É traduzido por ídolos, imagens, significa literalmente tora, bloco, ou coisa sem forma, pois o propósito fundamental é demonstrar a inutilidade desses deuses e polemizar contra as nações pagãs. A obra alemã, O Léxico de Koehler e Baumgartner, sugere que o termo é uma palavra pejorativa pela qual chamavam-se os ídolos de bolotas de excremento. Quem usa frequentemente este termo é o profeta Ezequiel (38 das 47 vezes em que o vocábulo aparece na Bíblia).

2) – “teraphim”: Este termo é um substantivo plural, aparentemente com o sentido de “coisa vergonhosa”; é termo empregado para designar os ídolos domésticos. Os “Terafins” eram ídolos pagãos do lar, e são mencionados no relato do furto domiciliar feito por Raquel contra seu pai Labão, em Gênesis 31.19-23. Este texto, durante um longo período, foi alvo de dúvidas entre os intérpretes e até mesmo céticos atacaram as Escrituras baseando-se na falta de comprovação histórica desse evento. Procurava-se descobrir porque Labão esforçou-se tanto para recuperar as imagens que poderiam se substituídas facilmente nas lojas dos fabricantes locais de imagens. Entretanto, a pá dos arqueólogos está a serviço da Bíblia! Sabe-se, atualmente, pelos tabletes de Nuzi, que aquele que possuía um “teraphim” ou imagem doméstica, poderia reclamar para si, legalmente, as propriedades do sogro e a liderança da família.

O Antigo Testamento ainda usa os termos “mipheletseth”, (coisa horrorosa), “’elil”, (coisa vazia ou sem sentido), e “‘awen”, (coisa pecaminosa). Outro termo judaico para ídolo ou “coisa abominável” é “shiqquts”. Este substantivo é empregado em contextos de práticas idólatras, referindo-se tanto aos próprios ídolos (como coisas abomináveis e detestáveis aos olhos de Deus), quanto a algo associado ao ritual idólatra. Em geral, os ídolos são chamados de abominação. Não somente os ídolos são uma abominação, mas também aqueles que os adoravam “se tornaram abomináveis como aquilo que amaram” (Os 9.10), pois se identificaram com os ídolos.
Antioco Epifâneo, conforme profetizado em Dn 11.31, que é um tipo do Anticristo, edificou no templo de Jerusalém um altar a Zeus junto com uma imagem deste deus, e sacrificou porcos no altar do sacrifício. Isto é chamado de “abominação desoladora”, ou seja, uma profanação do altar e que destrói o seu verdadeiro propósito. De igual modo o Anticristo estabelecerá uma abominação no santuário, uma adoração demoníaca e falsificada (Dn 9.27; 12.11).
É importante reconhecer que, por meio do uso de palavras muito pesadas como “to’ebhah, shiqquts” e outras, Deus deseja que o seu povo reconheça a tremenda seriedade e impiedade desses pecados, por mais atraente e popular que eles sejam. O povo de Deus precisa encarar o pecado a partir da perspectiva divina e não o contrário (Dt 7.26).

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