O Exército Brasileiro em 1968:
Estrutura, Doutrina e o Foco na Segurança Nacional
O Exército Brasileiro em 1968: Estrutura, Doutrina e o Foco na Segurança Nacional
Exército Brasileiro em 1968.
O ano de 1968 foi um divisor de águas para o Exército Brasileiro. No auge do Regime Militar e sob a presidência do Marechal Arthur da Costa e Silva, a força passou por uma transição profunda: deixou de focar apenas na defesa territorial clássica para se tornar o pilar central da Segurança Nacional e do controle interno.
1. Estrutura Organizacional em 1968
A estrutura era rigidamente hierárquica e territorial, baseada na divisão do país em grandes comandos que garantissem a presença militar em cada região estratégica.
O Comando Superior
Ministério do Exército: Comandado pelo General de Exército Aurélio de Lyra Tavares.
Estado-Maior do Exército (EME): O cérebro do planejamento, responsável pela doutrina e modernização.
Divisão Territorial (Os Exércitos de Campanha)
O Brasil era dividido em quatro grandes Exércitos, além de comandos militares específicos:
I Exército: Sediado no Rio de Janeiro (coração político e militar da época).
II Exército: Sediado em São Paulo (foco na área industrial e centros urbanos).
III Exército: Sediado em Porto Alegre (o mais poderoso em termos de blindados e efetivo, devido à fronteira Sul).
IV Exército: Sediado em Recife (foco no monitoramento do Nordeste).
Comandos Militares Regionais: Como o da Amazônia (CMA) e do Planalto (CMP), que cuidavam de áreas específicas de baixa densidade ou importância administrativa.
2. Atuação e Doutrina
Em 1968, a atuação do Exército foi moldada pela Doutrina de Segurança Nacional (DSN), desenvolvida na Escola Superior de Guerra (ESG). O foco saiu da guerra externa para o "inimigo interno".
O Combate à "Subversão"
Com o crescimento dos movimentos estudantis, greves operárias (como as de Osasco e Contagem) e o surgimento das primeiras guerrilhas urbanas, o Exército assumiu o papel de polícia política e força de repressão.
Inteligência e Repressão: Criação e fortalecimento dos CIE (Centro de Informações do Exército). O Exército coordenava a coleta de dados sobre dissidentes políticos.
Operações Urbanas: Patrulhamento de ruas e contenção de manifestações populares, especialmente após a "Passeata dos Cem Mil".
O Ano do AI-5
A atuação militar culminou em dezembro de 1968 com a edição do Ato Institucional nº 5. O Exército foi o fiador desse endurecimento, que permitiu:
Intervenções diretas em estados e municípios.
Censura prévia.
Suspensão do habeas corpus para crimes políticos.
Ações de Desenvolvimento (Civismo)
Nem toda atuação era repressiva; havia o conceito de "Binômio Segurança e Desenvolvimento":
Engenharia Militar: O Exército atuava na construção de estradas (como a Transamazônica, planejada pouco depois) e pontes, buscando integrar os "vazios demográficos".
Rondonismo: Apoio a projetos de assistência a populações isoladas, buscando levar a imagem do Estado ao interior.
3. O Contexto das Armas
Infantaria e Cavalaria: Eram a base da força. Em 1968, o Exército ainda utilizava muito material da 2ª Guerra Mundial (tanques M3 Stuart e M4 Sherman), mas iniciava o planejamento para a modernização que viria na década de 70 com a indústria nacional (Engesa).
Nota Histórica: 1968 foi o ano em que a "linha dura" do Exército venceu a "linha sorbonnista*" (mais intelectualizada/moderada), consolidando um período de forte repressão que duraria até o final da década de 70.
(*) O "Grupo Sorbonne" foi uma facção de oficiais do Exército Brasileiro, formados pela Escola Superior de Guerra (ESG), que defendiam uma postura tecnocrática e intelectualizada no golpe de 1964. Diferenciavam-se da "linha dura" por defenderem uma transição mais moderada ao poder civil, tendo Castello Branco como principal líder.
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