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sábado, 27 de junho de 2026

A Dialética da Autonomia e o Caráter Excepcional da Intervenção nos Municípios (Art. 35, CF/88)

 

 


A Dialética da Autonomia e o Caráter Excepcional da Intervenção nos Municípios (Art. 35, CF/88)





Fonte: Gemini AI





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A Dialética da Autonomia e o Caráter Excepcional da Intervenção nos Municípios (Art. 35, CF/88)


O Artigo 35 da Constituição Federal de 1988 consagra um dos pilares mais sensíveis do Federalismo brasileiro: a autonomia municipal, agora alçada ao patamar de ente federativo autônomo. A redação do caput estabelece uma presunção de não-intervenção, funcionando como uma garantia fundamental contra o arbítrio dos entes superiores (Estados e União) sobre a esfera política e administrativa dos Municípios.

1. A Natureza Jurídica da Autonomia Municipal

Diferente do modelo anterior, a CF/88 rompeu com a visão do Município como mera subdivisão administrativa do Estado. Ao conferir capacidade de auto-organização (Lei Orgânica), autogoverno (eleição de prefeitos e vereadores) e autoadministração (gestão de interesses locais), o constituinte erigiu uma muralha protetiva. A intervenção, portanto, não é uma prerrogativa de gestão, mas um instituto de exceção, de natureza política e processual, destinado a preservar a unidade federativa quando esta é ameaçada pela ineficiência ou pela desobediência grave às normas constitucionais pelo ente municipal.

2. O Caráter de Ultima Ratio

A taxatividade do rol previsto nos incisos do Art. 35 revela a intenção do legislador constituinte de limitar o poder de intervenção a situações de patologia constitucional aguda. A intervenção é a ultima ratio (o último recurso). Antes de cogitar a intervenção, o sistema jurídico exige a esgotabilidade de outros instrumentos de controle, como a fiscalização ordinária pelos Tribunais de Contas e o controle de legalidade pelo Poder Judiciário.

3. As Hipóteses de Incidência (Breve Análise dos Vetores)

As hipóteses do Art. 35 são construídas sobre pilares que protegem tanto o equilíbrio financeiro quanto a supremacia do ordenamento jurídico:

  • Dívida Fundada (Inciso I): Foca na insolvência técnica e na quebra da credibilidade financeira do ente, o que poderia gerar um efeito cascata de instabilidade no federalismo.

  • Ausência de Prestação de Contas (Inciso II): A transparência é o cerne da probidade administrativa. A omissão deliberada na prestação de contas desafia o poder fiscalizatório e inviabiliza o controle democrático.

  • Mínimos Constitucionais (Inciso III): A inobservância do investimento obrigatório em Saúde e Educação (art. 212 e 198, § 2º) atinge o núcleo dos direitos fundamentais da população. Aqui, a intervenção visa restaurar a dignidade humana, que não pode ser sacrificada pela desídia do administrador local.

  • Ordem Judicial e Princípios Constitucionais (Inciso IV): Este inciso atua como uma "cláusula de salvaguarda". Quando o Poder Judiciário tem suas decisões desacatadas ou quando o Município infringe princípios basilares do regime democrático (como a forma republicana ou a separação de poderes), a intervenção torna-se o mecanismo de restauração da ordem jurídica ferida.

4. A Dinâmica do Controle

É imperioso notar que a intervenção, embora decretada pelo Chefe do Executivo estadual (ou da União, no caso de Territórios), não é um ato de poder absoluto. Ela depende:

  1. Do controle prévio: Nos casos dos incisos I e II, é necessário o provimento de recurso pelo Judiciário (quando a execução for frustrada).

  2. Do controle político posterior: A submissão do decreto de intervenção à Assembleia Legislativa (ou Câmara Legislativa) confere legitimidade democrática ao ato, impedindo que a medida se torne uma ferramenta de perseguição política ou partidária.

Conclusão

O Art. 35 não deve ser lido como um convite à ingerência, mas como uma válvula de escape necessária para manter a coesão do Estado brasileiro. A sua aplicação exige, portanto, estrita legalidade, proporcionalidade e razoabilidade, sob pena de o instrumento de proteção da Constituição tornar-se, ele próprio, o agente de sua violação.




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MARTINS, Julio Cesar. A Dialética da Autonomia e o Caráter Excepcional da Intervenção nos Municípios (Art. 35, CF/88). 2026. Disponível em: https://www.profjuliomartins.com/ Acesso em: XX de XXXX de XXXX.


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