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terça-feira, 30 de novembro de 2021

SEIS MIL ANOS DE PÃO: QUAL SUA IMPORTÂNCIA PARA A HUMANIDADE?

SEIS MIL ANOS DE PÃO: QUAL SUA IMPORTÂNCIA PARA A HUMANIDADE?


Vítima da fome, Heinrich Eduard Jacob fez um retrato apurado de um dos principais alimentos da história da Humanidade - conheça passo a passo da evolução do pão e suas influências.

Pão e seus ingredientes

Pixabay

Há três mil anos, numa província egípcia próxima de Tebas, um grupo de operários trabalhava sob o sol forte em obras ordenadas pelo faraó Ramsés IX. Ao fim da jornada, aliviados e ansiosos, os trabalhadores esperam o salário pelo dia de labuta: três pães e duas canecas de cerveja. Mas a ração naquela tarde chegou diferente: gordura no lugar da mistura assada de farinha, água, sal e um pouco de fermento. Não deu outra: na manhã seguinte, recusaram-se a sair de casa. No registro do livro de pagamentos, a prova de uma das primeiras greves da História.
Um mês depois, a ração mais uma vez veio incompleta e os operários voltaram a cruzar os braços. Os grevistas foram protestar na capital, até serem atendidos, por ordem direta do governador. A falta de pão pode ter um duro efeito sobre qualquer patrão ou Estado - e, como se vê, há bastante tempo. Desde que ganhou espaço na dieta das famílias com base na receita inventada no Egito, por volta de 4000 a.C. Em Seis Mil Anos de Pão - A Civilização Humana através de Seu Principal Alimento, o escritor e historiador Heinrich Eduard Jacob revela a saga do pão de trigo, marcada por poucas mesas fartas e muitos períodos de fome e guerras.

PÃO



Egípcios cultivando e produzindo pão Wikimedia Commons

O intelectual judeu alemão, autor de 29 livros, sobrevivente da Primeira Guerra e perseguido pelo nazismo, foi preso em Viena, em março de 1938, e teve seus bens confiscados. Ficou cativo no campo de concentração de Dachau, na Alemanha, até que um tio americano conseguisse libertá-lo, em 1939. Refugiou-se primeiro na Inglaterra e depois obteve asilo nos Estados Unidos. Lá escreveu Seis Mil Anos de Pão, publicado originalmente em 1944. Gravuras do antigo Egito são os rastros primordiais do pão. Os agricultores das margens férteis do Nilo conseguiram cultivar o trigo em safras regulares. Eles perceberam que, além de uma papa, o cereal fornecia uma massa que, levada ao forno, resultava num alimento saboroso e nutritivo. "Os cereais foram domesticados pelo homem no Egito e na Mesopotâmia na mesma época", afirma Pedro Paulo Funari, professor de arqueologia e história antiga da Unicamp, conhecedor da obra de Jacob. De acordo com o livro, o processo de levedura da massa, a fermentação, tardou algum tempo para ser dominado. Os egípcios perceberam que, se deixassem a massa "descansar" antes de assá-la, isso a fazia crescer e, se parte dela fosse acrescentada a outra massa, ela a faria crescer mais. "Tão logo isso aconteceu, os egípcios passaram a comer o pão assado com frutas como figos e tâmaras e, mais tarde, com azeite ou azeitonas, quando estabeleceram contatos com outros povos do Mediterrâneo, como os gregos", diz Funari.

"Não foi preciso muito tempo para que houvesse 50 variedades de pão. Assado, ele não tinha semelhança com nenhum dos ingredientes", escreve Jacob.
Até o fim do Novo Império (de 1550 a 1070 a.C.), os egípcios viviam quase isolados entre os desertos da Líbia, do Sinai e da Núbia (no atual Sudão). Nessa época, o pão já tinha o status de moeda. Esse isolamento foi rompido com as invasões dos hicsos, um povo de origem semita, e pelas guerras com os hititas (que habitavam a região da Turquia), o que gerou uma nova dinâmica para a cultura do trigo.

ROTA

Os egípcios passaram a exportar seu excedente de produção para outros povos do Mediterrâneo pelas mãos de comerciantes fenícios. Foi dessa forma que os gregos (e toda a Europa, em seguida) conheceram o trigo e a arte de fermentar o pão.
Antes disso, os gregos comiam uma espécie de broa de cevada e uma bolacha de centeio. A chegada do trigo reservou ao cereal importado um papel de destaque em cerimônias ao culto de Deméter, "a mãe que faz crescer o povo" e de Dionísio, incorporado pelos romanos como Baco: o casamento perfeito entre pão e vinho.
Os judeus, sobretudo, atribuíram um significado sagrado a esse alimento - a Páscoa judaica tem raízes na comemoração da saída do Egito. No capítulo 13 do Êxodo, Moisés diz: "Recordai-vos deste dia em que saístes do Egito, da casa de servidão. Não se comerá pão fermentado. (...) Durante sete dias comer-se-ão pães ázimos, e no sétimo dia haverá uma festa em honra ao Senhor". Ele também proibiu que, nesse período, eles mantivessem em casa qualquer produto fermentado.
Historiadores interpretam a ordem para consumir o pão ázimo (sem fermento) como uma forma de diferenciação do pão egípcio. Jacob, porém, oferece outra hipótese e cita o mesmo costume de diversos povos nas oferendas às divindades. Ele lembra, por exemplo, que os sacerdotes de Júpiter, o deus supremo para os romanos, eram proibidos de usar farinam fermento imbutam, ou seja, farinha embebida em fermento,
O que civilizações tão diferentes tinham em comum? Consideravam o fermento "algo podre" e "impuro" para agradar aos deuses. O hábito de tornar alimentos sagrados era comum a vários povos da Antiguidade. Mais de mil anos depois da saída de Moisés do Egito, quando os judeus passavam fome para atender aos tributos romanos, Jesus Cristo repartiu o pão da Páscoa (em 27 d.C.) e o consagrou para bilhões de seguidores no futuro. Distribuiu os pedaços aos apóstolos como o "pão da vida", a transformação do alimento em sua própria carne.

PÃO E CIRCO


Coliseu, Roma. Local onde aconteciam as disputas. Pão e circo. Wikimedia Commons

"Foi nesse mundo do Império Romano que apareceu Jesus Cristo. Era um mundo de carência, de verdadeira fome, um mundo em que especuladores retinham os cereais e no qual o Estado e o imperador se serviam do pão para fins políticos, dando alimento a quem apoiasse o seu poder", diz o autor, referindo-se ainda à prática dos governantes de oferecer trigo e diversão, como as disputas entre gladiadores. Para alimentar a plebe, sucessivos dirigentes canalizaram todo o trigo do Egito e das províncias para Roma, deixando a população mediterrânea sem pão.
Os romanos herdaram dos gregos o gosto pelo pão e a adoração a Deméter, batizada como Ceres e incluída nos mistérios de Elêusis, único culto que concorria seriamente com o cristianismo nascente da época. Tão importantes que eram no cotidiano romano, o pão e o azeite tinham preço e estoque controlados pelo Estado. Entre tipos e formatos variados, como o panis testuatius, cozido num vaso de barro, o pão de Parta era considerado uma especialidade leve - a massa era deixada dentro da água durante muito tempo e só depois cozida. Registros apontam que, em 72 a.C., 40 mil romanos recebiam o cereal gratuitamente do Estado. Com Júlio César, esse número passou para 200 mil e seguiu crescendo. Mas toda essa estrutura ruiu entre os séculos 3 e 4, quando as províncias não puderam mais suportar o peso de Roma e sua estrutura corrupta e inflacionada. E os invasores bárbaros trouxeram um novo gosto alimentar: sopas de legumes, aveia e centeio, que levaram a civilização ocidental para a Idade Média do sabor. À época, boa parte da população adulta era desdentada e a sopa vinha bem a calhar.
Jacob afirma que, por cerca de mil anos, até quase o fim do medievo, os europeus comeram mal. Nas crises de abastecimento, até cascas de árvore eram misturadas a grãos de trigo nas moendas do cereal. A partir daí, o historiador conta como a humanidade teve de se virar em diferentes partes do planeta para alimentar a população. O milho e a batata encontradas na América pelos colonizadores se espalharam para a Europa, a China e a Arábia. Mas, segundo Jacob, a preferência pelo trigo parecia imbatível. "O pão era rico em calorias: 2,4 mil calorias por quilo." Além disso, era um alimento barato.
O livro é um clássico não apenas sobre o trigo mas também sobre a agricultura e as técnicas de produção e conservação de alimentos - essenciais ao avanço das civilizações. E, claro, cita a importância de exércitos bem alimentados em todas as guerras. Napoleão, por exemplo, alimentava suas tropas com "um pão fabricado com duas partes de trigo e uma de centeio", enquanto o restante da população francesa comia uma mistura de farelo de trigo que não matava a fome. Na Revolução Francesa, durante períodos de escassez do cereal, as mulheres foram ao Palácio de Versalhes e à Convenção de Paris exigir das autoridades o essencial. Conseguiram, em 1793, fazer valer uma lei (mesmo que por pouco tempo) que distribuía o pão gratuitamente. Só assim diminuíram os gritos nas ruas: "Queremos pão!" O mesmo apelo dos grevistas egípcios e de qualquer família (faminta ou não) até hoje.



Fonte de referência, estudo e pesquisa:



segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Crime Doloso ou Culposo - Entenda a Diferença

 

Crime Doloso ou Culposo - Entenda a Diferença




O que é um crime doloso?

Crime doloso – Crime com intenção. O agente quer ou assume o resultado. A definição de crime doloso está prevista no artigo 18, inciso I do Código Penal, que considera como dolosa a conduta criminosa na qual o agente quis ou assumiu o resultado.

O crime é doloso quando praticado com intenção. Considera-se como dolosa a conduta na qual o agente quis assumir ou assumiu o resultado. Em regra, para que alguém seja punido, tem que ter praticado o crime de forma dolosa, com exceção dos casos de punição por conduta culposa previstos em lei.

Quais são os crimes dolosos?

Os crimes dolosos contra a vida estão previstos nos artigos 121 a 126 do Código Penal, e são: homicídio, induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, infanticídio, aborto provocado pela gestante ou com o seu consentimento e o aborto provocado sem o consentimento da gestante.

Se a pessoa quer praticar e de fato pratica, ela comete um crime doloso. Se uma investigação comprovar que o agente do crime assumiu o risco, ele poderá ser condenado por crime doloso, conhecido também como dolo eventual.

O que é um crime Culposo?

O crime culposo está previsto no artigo 18II, do Código Penal Brasileiro com a seguinte redação:

Art. 18 - Diz-se o crime:

(...)

II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

E, também, no Código Penal Militar:

Art. 33 . Diz-se o crime:

(...)

II - culposo, quando o agente, deixando de empregar a cautela, atenção, ou diligência ordinária, ou especial, a que estava obrigado em face das circunstâncias, não prevê o resultado que podia prever ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que poderia evitá-lo.

crime culposo consiste numa conduta voluntária que realiza um fato ilícito não querido pelo agente, mas que foi por ele previsto ( culpa consciente ) ou lhe era previsível (culpa inconsciente) e que podia ser evitado se o agente atuasse com o devido cuidado.

Assim, são elementos do crime culposo:

a) Conduta humana voluntária. A voluntariedade está relacionada à ação, e não ao resultado.

b) Violação de um dever de cuidado objetivo. O agente atua em desacordo com o que é esperado pela lei e pela sociedade. São formas de violação do dever de cuidado, ou mais conhecidas como modalidades de culpa, a imprudência, a negligência e a imperícia.

c) Resultado naturalístico. Não haverá crime culposo se, mesmo havendo falta de cuidado por parte do agente, não ocorrer o resultado lesivo a um bem jurídico tutelado. Assim, em regra, todo crime culposo é um crime material.

d) Nexo causal.

e) Previsibilidade. É a possibilidade de conhecer o perigo. Na culpa consciente, mais do que a previsibilidade, o agente tem a previsão (efetivo conhecimento do perigo).

f) TipicidadeCP, Art. 18 - Diz-se o crime: Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.

Gênesis Capitulo 35

Gênesis Capitulo 35

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CAPÍTULO 35


Deus envia Jacó a Betel, onde ele constrói um altar, e o Senhor lhe aparece — Deus renova a promessa de que Jacó será uma grande nação e volta a dizer que seu nome será Israel — Jacó ergue um altar e sobre ele derrama uma libação — Raquel dá à luz Benjamim, morre no parto e é sepultada perto de Belém — Rúben comete pecado com Bila — Isaque morre e é sepultado por Jacó e Esaú.


Depois disse Deus a Jacó: Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali; e faz ali um altar ao Deus que te apareceu, quando afugiste de diante da face de teu irmão Esaú.

Então disse Jacó à sua família, e a todos os que com ele estavam: Tirai os adeuses estranhos que há no meio de vós, e bpurificai-vos, e mudai as vossas vestes.

E levantemo-nos, e subamos a Betel; e ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha aangústia, e que esteve comigo no caminho em que andei.

Então deram a Jacó todos os deuses estranhos que tinham em suas mãos, e os brincos que estavam em suas orelhas; e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Siquém.

E partiram; e o terror de Deus caiu sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não foram ao encalço dos filhos de Jacó.

Assim, chegou Jacó a aLuz, que está na terra de Canaã (esta é Betel), ele e todo o povo que com ele estava.

E edificou ali um altar, e chamou aquele lugar El-Betel, porquanto Deus ali se lhe tinha manifestado, quando fugia de diante da face de seu irmão.

E morreu Débora, a ama de Rebeca, e foi sepultada ao pé de Betel, debaixo do carvalho que se chamou pelo nome de aAlom-Bacute.

E apareceu Deus outra vez a Jacó, vindo ele de Padã-Arã, e abençoou-o.

10 E disse-lhe Deus: O teu nome é Jacó; não se chamará mais o teu nome Jacó, mas aIsrael será o teu nome. E chamou o seu nome Israel.

11 Disse-lhe mais Deus: Eu sou o aDeus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação e uma multidão de bnações sairão de ti, e reis procederão dos teus lombos;

12 E te darei a aterra que dei a Abraão e a Isaque, e à tua semente depois de ti darei a terra.

13 E Deus subiu de diante dele, do lugar onde falara com ele.

14 E Jacó pôs uma coluna no lugar onde falara com ele, uma coluna de pedra; e derramou sobre ela uma libação, e deitou sobre ela azeite.

15 E chamou Jacó o nome daquele lugar, onde Deus falara com ele, Betel.

16 E partiram de Betel; e havia ainda um pequeno espaço de terra para chegar a Efrata, e Raquel deu à luz, e ela teve um parto difícil.

17 E aconteceu que, tendo ela dificuldade em seu parto, lhe disse a parteira: Não temas, porque também este filho terás.

18 E aconteceu que, ao sair-lhe a alma (porque ela morreu), chamou o seu nome aBenoni; mas seu pai o chamou bBenjamim.

19 Assim, morreu Raquel, e foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém.

20 E Jacó pôs uma coluna sobre a sua sepultura; essa é a coluna da sepultura de Raquel até o dia de hoje.

21 Então partiu Israel, e armou a sua tenda além de Migdal Éder.

22 E aconteceu que, habitando Israel naquela terra, foi Rúben, e adeitou-se com Bila, concubina de seu pai; e Israel ouviu-o. E eram doze os filhos de Jacó:

23 Os filhos de Lia: Rúben, o primogênito de Jacó, depois Simeão, e Levi, e Judá, e Issacar, e Zebulom;

24 Os filhos de Raquel: José e Benjamim;

25 E os filhos de Bila, serva de Raquel: Dã e Naftali;

26 E os filhos de Zilpa, serva de Lia: Gade e Aser. Esses são os filhos de Jacó, que lhe nasceram em Padã-Arã.

27 E Jacó foi a seu pai Isaque, a Manre, a Quiriate-Arba (que é Hebrom), onde peregrinaram Abraão e Isaque.

28 E foram os dias de Isaque cento e oitenta anos.

29 E Isaque expirou, e morreu, e foi recolhido ao seu povo, velho e farto de dias; e seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram.


sábado, 27 de novembro de 2021

Luz do saber e a fluência leitora on-line




Luz do saber e a fluência leitora on-line






Mateus Capítulo 27

 Mateus Capítulo 27







CAPÍTULO 27


Jesus é acusado e condenado diante de Pilatos — Barrabás é libertado — Jesus é escarnecido, crucificado e enterrado no sepulcro de José de Arimateia.


E chegando a manhã, todos os principais dos sacerdotes, e os anciãos do povo formavam juntamente conselho contra Jesus, para o matarem;

E levaram-no manietado, e entregaram-no ao governador aPôncio Pilatos.

Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, devolveu, arrependido, as trinta moedas de prata aos principais dos sacerdotes e aos anciãos,

Dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? aIsso é contigo.

E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se, ae foi enforcar-se.

E os principais dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue.

E tendo deliberado em conselho, compraram com elas o acampo do oleiro, para sepultura dos estrangeiros.

Por isso foi chamado aquele campo, até o dia de hoje, Campo de Sangue.

Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, que os filhos de Israel avaliaram,

10 E deram-nas pelo campo do oleiro, segundo o que me ordenou o Senhor.

11 E foi Jesus apresentado ao governador, e o governador o interrogou, dizendo: És tu o aRei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: bTu o dizes.

12 E sendo acusado pelos principais dos sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.

13 Disse-lhe então Pilatos: Não ouves quanto testificam contra ti?

14 E nem uma palavra lhe respondeu, de sorte que o governador estava muito maravilhado.

15 Ora, por ocasião da festa, costumava o governador soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse.

16 E tinham então um preso bem conhecido, chamado Barrabás.

17 Portanto, reunindo-se eles, disse-lhes Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?

18 Porque sabia que por inveja o haviam aentregado.

19 E estando ele assentado no tribunal, mandou sua mulher dizer-lhe: Não entres na questão desse justo, porque num asonho muito sofri por causa dele.

20 Mas os principais dos sacerdotes e os anciãos persuadiram a multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus.

21 E respondendo o governador, disse-lhes: Qual desses dois quereis vós que eu solte? E eles disseram: Barrabás.

22 Disse-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja acrucificado.

23 O governador, porém, disse: Pois que mal fez ele? E eles clamavam aainda mais, dizendo: Seja crucificado.

24 Então Pilatos, vendo que nada conseguia, antes o tumulto crescia, pegando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste ajustoisso é convosco.

25 E respondendo todo o povo, disse: O seu asangue seja sobre nós e sobre nossos filhos.

26 Então soltou-lhes Barrabás, e tendo mandado açoitar Jesus, entregou-o para ser crucificado.

27 E logo os soldados do governador, conduzindo Jesus ao aPretório, reuniram junto dele toda a bcoorte.

28 E despindo-o, o cobriram com uma acapa escarlate;

29 E tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e em sua mão direita, uma acana; e ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, Rei dos Judeus!

30 acuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e batiam-lhe com ela na cabeça.

31 E depois de o haverem escarnecido, tiraram-lhe a capa, vestiram-lhe as suas vestes e o levaram para ser crucificado.

32 E quando saíam, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz.

33 E chegando ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer: Lugar da aCaveira,

34 Deram-lhe a beber avinagre misturado com fel; mas, provando-o, não quis beber.

35 E havendo-o acrucificado, repartiram as suas vestes, lançando sortes; para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: bRepartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica lançaram sortes.

36 E assentados, o guardavam ali.

37 E por cima da sua cabeça puseram escrita a sua acusação: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.

38 E foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda.

39 E os que passavam blasfemavam dele, meneando a cabeça,

40 E dizendo: Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; se és aFilho de Deus, desce da cruz.

41 E da mesma maneira também os principais dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam:

42 Salvou outros, a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele.

43 aConfiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou bFilho de Deus.

44 E do mesmo modo o injuriaram também os salteadores que estavam crucificados com ele.

45 E desde a hora sexta houve atrevas sobre toda a terra, até a hora nona.

46 E perto da hora nona exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, aDeus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

47 E alguns dos que ali estavam, ouvindo isso, diziam: Este chama por aElias.

48 E logo um deles, correndo, tomou uma esponja, e encheu-a de vinagre, e pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.

49 Os outros, porém, diziam: Deixa, vejamos se Elias vem livrá-lo.

50 E Jesus, clamando outra vez com agrande voz, rendeu o espírito.

51 E eis que o avéu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a bterra, e fenderam-se as pedras.

52 E abriram-se os asepulcros, e muitos corpos de bsantos cque dormiam dforam ressuscitados,

53 E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na acidade santa, e apareceram a muitos.

54 E o centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus.

55 E estavam ali olhando de longe muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, servindo-o,

56 Entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

57 E caindo já a tarde, chegou um homem rico de Arimateia, por nome aJosé, que também era discípulo de Jesus.

58 Este chegou a Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse dado.

59 E José, tomando o corpo, envolveu-o num fino e limpo lençol,

60 E o pôs no seu sepulcro novo, que havia lavrado numa rocha; e revolvendo uma grande pedra para a porta do asepulcro, foi-se.

61 E estavam ali Maria Madalena e a outra Maria, assentadas defronte do sepulcro.

62 E no dia seguinte, que é depois da apreparação, reuniram-se os principais dos sacerdotes e os fariseus em casa de Pilatos,

63 Dizendo: Senhor, lembramo-nos de que aquele enganador, vivendo ainda, disse: aDepois de três dias ressuscitarei.

64 Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia, não seja caso que os seus discípulos vão de noite, e o furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dos mortos; e assim o último aerro será pior do que o primeiro.

65 E disse-lhes Pilatos: Tendes a guarda; ide, guardai-o como entenderdes.

66 E indo eles, tornaram seguro o sepulcro com a guarda, selando a pedra.








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